A PALAVRA DE DEUS É VIVA

PALAVRA DE DEUS

“Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado.” (Jo 15,3)

A nossa vocação é a santidade. Ser santo é ser separado para Deus. Não é sair do mundo, deixar as pessoas, deixar os ambientes, é, uma separação interior, buscando o bem e nos tornando santos. Nós já vimos a importância de exercitar as virtudes da fé, esperança, caridade, justiça, fortaleza etc. Esse exercício nos leva a separar-nos do mal e a buscarmos o bem, buscarmos a graça de Deus.
E o fruto do Espírito em nós, que é sinal de santidade, faz brotar do nosso interior, amor, paz, bondade, alegria, paciência. Não é dom, é fruto. É sinal de que eu estou em Deus e ele está em mim. A santidade é que nos faz pertencentes a Deus, semelhantes a Deus, porque Deus é Santo. E um dos meios para se chegar à santidade é a PALAVRA DE DEUS. Vejamos sua importância: Lucas 8,19: “A mãe e os irmãos de Jesus foram procurá-lo, mas não podia chegar-se a Ele por causa da multidão”. Foi-lhe avisado:
 Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam ver-te. Ele lhes disse: “Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a palavra de Deus e a observam.” Jesus não quis desprezar sua mãe e os que a acompanhavam. Ele quis mostrar a importância de se observar a palavra de Deus. Observar a palavra de Deus que é fonte de salvação, de cura, de libertação.

Diz a carta de São Paulo aos Hebreus 4,12: “Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração”.

“Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto àquEle a quem havemos de prestar contas.” Uma espada de dois gumes, tem corte dos dois lados, por isso penetra fundo, lá no mais profundo. É isso que São Paulo quer nos dizer, que a Palavra de Deus penetra o nosso coração, desconserta as atitudes, deixa-nos embaraçados, às vezes assustados, porque nos atinge de maneira inesperada.

É essa a eficácia e o poder da Palavra de Deus. Discernem quais são os nossos pensamentos e as nossas verdadeiras intenções. É preciso ser fiel à Palavra de Deus, é preciso ouvi-la e praticá-la, no dia-a-dia, a cada hora, a cada momento. “Bem aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam.”

Nós temos que ser autênticos diante da Palavra de Deus. Não nos enganar, correndo de encontro para encontro, de curso para curso, ouvindo a palavra e não a pondo em prática. É preciso buscar sim, mas é preciso colocar em prática, na nossa vida, na nossa casa, na nossa família. São Tiago nos diz: “Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, isto equivaleria a enganardes a vós mesmos”.

Aquele que escuta a palavra sem a realizar assemelha-se a alguém que contempla num espelho a fisionomia que a natureza lhe deu: contempla-se e mal sai dali, esquece-se de como era. Mas aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera, não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como cumpridor fiel do preceito, este será feliz no seu proceder. (Tg 1,22-25). É importante darmos atenção e respeito à Palavra de Deus.

Uma vez um padre que trabalhava no Nordeste contou que havia chegado à sua paróquia um padre francês, novo e muito entusiasmado, querendo levar o Evangelho de Deus às pessoas. Logo no primeiro domingo, após a leitura da palavra, quando foi fazer a homilia, notou que as pessoas estavam desatentas, conversando umas com as outras, os homens até saíam da Igreja para fumar. O padre ficou preocupado e colocou o problema diante de Deus. No domingo seguinte foi a mesma coisa.

E o padre foi um belo dia visitar os paroquianos no campo. Assim que os trabalhadores o viram, veio cumprimentá-lo, conversar com ele, ofereceram-lhe água em uma cabaça. O padre se admirou com aquela espécie de vasilha e achou a água uma delícia. Pediu uma cabaça daquela e os trabalhadores lhes deram e explicaram que era preciso cortar a tampa, tirar as sementes, curtir bem para depois por água. O padre foi e levou a cabaça. No domingo seguinte, levou a cabaça e colocou no altar.
Após as leituras, ele disse que o sermão seria diferente. O pessoal se admirou de ver a cabaça no altar. O padre perguntou o que era aquilo e para que servia. Os fiéis sorrindo, disseram: “É uma cabaça, que serve para muitas coisas, até para pôr água.” Então o padre começou a colocar água na cabaça fechada e a água escorria por todos os lados.

O pessoal disse que não era daquele jeito, tinha que cortar a tampa, tirar as sementes, curtir… O padre então lhes disse que eles estavam como aquela cabaça, fechados, cheios de sujeira por dentro.
Que era preciso retirar toda sujeira para a Palavra de Deus penetrar em seus corações.

E isto também acontece conosco. Muitas vezes a Palavra de Deus não penetra em nossos corações e ficamos procurando desculpas para não praticá-la. A palavra de Deus é muito clara. O que Ele quer é que nos amemos uns aos outros que nos perdoemos que busquemos a santidade.

Quando pedimos uma palavra a Deus para praticar, Ele sempre nos dá. Então devemos ficar atentos porque vão surgir situações em que devemos praticar aquela palavra. Com louvor, com confiança.

Então aquela palavra se torna a nossa fortaleza, a nossa segurança. Deus não nos dá uma palavra por acaso. Temos que observá-la, meditando, levando-a a sério. Aquela é uma palavra para a nossa vida. Não ficar pedindo a Deus uma palavra diferente todos os dias. Deus não quer isto.

Não devemos ter pressa e nem ficar buscando novidades na Palavra de Deus. Ele quer que observemos aquela que Ele já nos deus. Quinze dias, um mês, não importa, o tempo é determinado por Deus, devemos então permanecer naquela palavra, contemplá-la, observá-la, encarná-la. “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e nele faremos nossa morada.” (Jo14, 23).

A Igreja nos ensina que Jesus está todo inteiro na hóstia consagrada, por menor que seja a porção. Assim também acontece com a palavra, por menor que seja o versículo, nós temos oportunidade de, por ela, entrar em comunhão com Deus, de estar na sua presença, de voltar-nos para ele.

E quando a guardarmos Deus se manifesta a nós nela, porque ela é verdade, ela é vida, ela dá sentido à nossa vida, e podemos provar como valeu a pena guardá-la, porque ela se transformou em palavras de vida eterna, viva, eficaz, poderosa para curar, para libertar, para fortalecer.

Fui convidado a falar sobre perdão e reconciliação e Deus me colocou à prova. Houve um acidente em que bati em uma moto, e o rapaz me desacatou, me ameaçou, mas o meu coração não se fechou para ele. Eu consegui continuar amando-o e perdoando-o. E fiquei feliz com Deus porque aquilo que eu pregara, eu tinha vivido, a palavra de Deus estava viva em mim.

Eu não estava falando às pessoas de idéias, mas de fatos que eu vivi. E quando falei isso ali, para aquelas pessoas, elas começaram a reconciliar-se. Para convencer as pessoas daquela comunidade não adiantavam palavras, Deus quis dar a elas, fatos, exemplos concretos, para que elas vissem como é que se deve viver a Palavra de Deus. Aquilo lhes deu coragem e elas puderam reconciliar-se.

É preciso que a Palavra de Deus seja praticada para que produza frutos. Quem guarda a sua palavra está pronto para ter um encontro muito profundo com Deus. É isto que o Senhor quer de nós, que sejamos cumpridores da sua palavra e não apenas ouvintes. Amém.

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